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PF aponta repasse de R$ 14,2 milhões a empresa ligada à família de Ciro Nogueira

PF aponta repasse de R$ 14,2 milhões a empresa ligada à família de Ciro Nogueira

Investigação da PF cita transferência de fundo ligado à Refit para empresa da família de Ciro Nogueira em 2024.

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Luis Gomes
22 de maio de 2026
3 min de leitura
Política

A investigação da Polícia Federal que embasou a Operação Sem Refino identificou um repasse de R$ 14,2 milhões do fundo Athena, ligado à Refit, para a empresa Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis Ltda., pertencente a familiares do senador Ciro Nogueira (PP-PI). A transferência ocorreu em 2024 e foi informada ao Supremo Tribunal Federal em representação encaminhada pela PF.

Segundo o documento, o senador não integra atualmente o quadro societário da empresa e afirmou que, à época da operação, possuía menos de 1% de participação. Ciro Nogueira também não foi alvo da operação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, que determinou buscas e apreensões em endereços ligados ao ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro e solicitou a inclusão do empresário Ricardo Magro na lista vermelha da Interpol.

A representação da Polícia Federal, que tramita sob sigilo, foi divulgada inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo. Em nota enviada por sua assessoria, o senador afirmou que “lamenta as recorrentes tentativas de associá-lo a escândalos” e negou qualquer irregularidade.

De acordo com Ciro Nogueira, o pagamento teve como finalidade a compra de um terreno superior a 40 hectares em Teresina para a construção de uma distribuidora de combustíveis. O parlamentar afirmou ainda que a negociação foi regular, declarada aos órgãos competentes e realizada dentro dos valores de mercado.

O senador também destacou que a empresa atua no ramo imobiliário e declarou que atualmente não possui participação societária no negócio.

Ciro Nogueira é presidente nacional do PP e ex-ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro. Já Ricardo Magro é apontado pela investigação como ligado à Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, alvo de operações da Polícia Federal relacionadas a suspeitas de sonegação fiscal na importação de combustíveis e fornecimento de gasolina para postos associados ao PCC.

Entre os alvos da Operação Sem Refino está Jonathas Assunção, ex-secretário-executivo da Casa Civil durante a gestão de Ciro Nogueira. Segundo a Polícia Federal, ele recebeu R$ 1,3 milhão ligados à Refit em transferências realizadas em 2025.

A PF afirma que os valores recebidos por Jonathas teriam sido rapidamente transferidos para contas pessoais, apontando indícios de movimentação típica de “empresa de passagem”, sem despesas operacionais compatíveis com a atividade declarada de consultoria.

No início do mês, Ciro Nogueira também foi alvo de busca e apreensão na Operação Compliance Zero, que investiga supostas irregularidades envolvendo o Banco Master. Entre as suspeitas investigadas estão possíveis repasses financeiros e pagamento de despesas pessoais do parlamentar. O senador também negou irregularidades nesse caso.

Após a deflagração da Operação Sem Refino, Cláudio Castro afirmou estar à disposição da Justiça e declarou que todos os atos de sua gestão seguiram critérios técnicos e legais, incluindo políticas de incentivos fiscais do estado.

A Refit e Ricardo Magro também negaram irregularidades. Em nota, a empresa afirmou que Magro não controla a companhia e sequer integra o quadro de acionistas. A declaração, no entanto, contrasta com entrevista concedida pelo empresário em setembro de 2025, quando defendeu publicamente a atuação da refinaria.

No relatório que fundamentou a operação, a Polícia Federal sustenta que Magro utilizaria offshores em jurisdições com sigilo societário e tributação favorecida, além de trusts administrados por estruturas especializadas em proteção patrimonial.

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Última atualização: 22/05/2026