O advogado Bruno Ferullo, responsável pela defesa de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, afirmou nesta quinta-feira que considera praticamente impossível que seu cliente continue comandando o PCC (Primeiro Comando da Capital) de dentro do sistema penitenciário federal, como apontam autoridades.
Marcola está preso desde 2019 em uma penitenciária federal de segurança máxima em Brasília e foi um dos alvos da operação deflagrada nesta quinta-feira contra uma transportadora suspeita de lavar dinheiro para a facção criminosa.
Segundo o defensor, todas as conversas realizadas dentro da unidade prisional são monitoradas pelas autoridades.
“Tudo o que você conversa é monitorado por áudio e vídeo. Essa conversa é, inclusive, monitorada de forma virtual pelo setor de inteligência”, declarou Ferullo.
O advogado também representa familiares de Marcola e afirmou que ainda não teve acesso completo às suspeitas envolvendo os parentes do cliente.
Sobre a inclusão de Marcola na investigação, Ferullo afirmou que o nome do detento teria sido relacionado ao caso após a descoberta de um bilhete encontrado no esgoto da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, que mencionava “Narigudo”, apelido atribuído ao líder da facção.
“Estão ligando esse vulgo ao Marco”, disse o advogado, que informou ter uma reunião marcada com Marcola na próxima segunda-feira.
Em nota enviada à imprensa, Ferullo ressaltou que as medidas cautelares não significam culpa comprovada e pediu respeito ao princípio da presunção de inocência.
“É fundamental deixar claro que estamos na fase de inquérito policial, que se apoia exclusivamente em ‘indícios’ e ‘suspeitas’, expressões que, no direito, têm peso probatório limitado e que precisam ser submetidas ao contraditório antes de qualquer conclusão”, afirmou.
A operação realizada nesta quinta-feira cumpriu seis mandados de prisão preventiva, além de determinar o bloqueio e sequestro de bens e valores que somam ao menos R$ 327 milhões.
Entre os alvos da ação estão o irmão de Marcola e a influenciadora digital Deolane Bezerra. Ela foi presa pela manhã em sua residência em Barueri, na Grande São Paulo.
As investigações apontam que Deolane seria uma espécie de “caixa” do PCC. A polícia suspeita que repasses financeiros recebidos da transportadora investigada possam indicar ligação com o crime organizado.
Segundo as autoridades, já foram identificadas outras conexões entre a influenciadora e a facção criminosa, embora detalhes adicionais não tenham sido divulgados até o momento.

